A interpretação de um texto depende muito do conhecimento que o leitor tem anteriormente. É muito importante o leitor estar situado geograficamente, assim como cultural e historicamente, quando lê qualquer tipo de texto porque entenderá o porquê das coisas estarem a acontecer, da maneira que acontecem. Os costumes, tradições e maneiras de ser e estar variam mediante a cultura das pessoas e isso reflete-se no texto de alguma forma. Sendo assim, é de extrema importância o leitor estar consciente destes três aspectos contextuais. Por exemplo, na leitura de Crónica de uma morte anunciada, o tempo em que a estória acontece é muito importante porque ajuda o leitor a ter uma ideia do papel social de cada sexo, sem achar que o autor se refere a uma sociedade altamente atrasada dos dias de hoje. O leitor consegue também, devido a contextualização, entender o porquê de certas coisas, como o drama a volta de Santiago Nasar e Angela Vicário, que se deve a falta de “inocência”, ou ao facto de Angela Vicário já não ser virgem no dia do seu casamento. Em dias correntes, tal coisa já não seria um problema, pelo menos em maior parte do mundo, mas na altura em que foi escrito o livro, ou em que a estória é contada, isto é realmente um grande problema. O leitor passa a entender os papeis sociais pelas pistas que o autor vai dando durante a obra e dessa maneira, em adição ao tempo, o leitor vai percebendo cada vez mais sobre a cultura em referência, que, apesar do mesmo período temporal, pode variar bastante comparativamente a outras partes do mundo.