Na peça de teatro A Casa da Boneca, do autor norueguês Henrik Ibsen, existem duas personagens que se opõem às normas sócio-culturais em prol da sua auto-libertação. Estas duas personagens têm pouco em comum mas uma coisa que as une como influentes é o facto de serem mulheres. Durante a peça, Ibsen crítica mulheres passivas as normas da sociedade, assim como homens que patrocinam tais práticas, perpetuando a desigualdade dos géneros e o casamento baseado nas aparências.
Christine é uma mulher que a partida se opõem às normas estabelecidas e vive uma realidade muito diferente da de Nora. Christine abre uma janela para o mundo ao leitores, especialmente as mulheres do tempo em que foi escrito, porque se sustenta a ela própria. Ao contrário das mulheres da altura, Christine procurava qualquer coisa mesmo “sem ninguém para quem trabalhar” (p.23) porque carregava o peso de se sustentar a si, a sua mãe e os seus irmãos. Este senhora distingue-se do resto porque não depende financeiramente de nenhum homem, nem tem um marido que serve como provedor das necessidades de casa. Christine eventualmente encontra uma fonte de rendimento rentável e, até certo ponto, estável e torna-se independente. O uso desta personagem na peça, peça esta que visa criticar a maneira como as mulheres são vistas perante a sociedade e o seu dever dentro da mesma, apresenta uma nova realidade as mulheres da altura visto que isto era pouco comum neste período. As ações de Christine mostram que as mulheres são capazes de fazer aquilo que os homens fazer e não precisam de maneira nenhuma depender de um homem para se manterem na vida. Serve também como uma maneira de abrir os olhos a muitas mulheres que se encontram estagnadas na vida por acharem que não há nada que possam fazer numa sociedade dominada pela sexo masculino.
Ao contrário de Christine, muitas mulheres na altura em que a peça foi escrita e encenada, viviam a mesmo realidade que Nora. Esta realidade baseava-se na transformação das mulheres em “bonecas” dentro dos seus lares. Estas mulheres que vivem como bonecas eram totalmente dependentes e controladas pelos seus maridos, filhos, ou qualquer tipo de figura masculina na sua vida. Ao longo da peça o leitor é apresentado a várias atitudes de Nora que, a partida, demonstram que Nora se opõem, apesar de não abertamente, as regras impostas pelo seu marido. No início da peça o leitor apercebe-se que Nora faz coisas às escondidas de Torvald, e quando está na presença do mesmo tenta arranjar maneira de disfarçar os seus pecados como quando “coloca o pacote de biscoitos no bolso e limpa os lábios” (p. 12). Isto revela que Nora submete-se às regras estabelecidas pelo marido mas que as vais quebrando por trás para seu próprio benefício. Apesar disto, Nora toma conta da casa e dos filhos, não trabalhar e portanto não tem fonte nenhuma de rendimento, e recebe dinheiro do marido para propósitos ao critério dela. Quando Nora decide abandonar o casamento à procura de libertação e da real felicidade, ela mostra a todas as leitoras que apesar de tudo existe uma saída, até mesmo para que se encontra na mesma situação que ela. Nora deixa tudo para trás, incluindo a estabilidade financeira que era garantida pelo seu marido para seguir o seu próprio caminho. Isto é feito quando Nora apercebe-se que a sua vida era controlada por um homem que na realidade não a amava e que continuava no relacionamento porque gostar de quem ela se tinha tornado para acomodar as necessidades dele e não por quem realmente ela era. Nora segue a sua vida a solo e durante este percurso aprende o que realmente ela quer para ela. Sendo assim, esta personagem mostra que para além de que as mulheres merecem mais do que aquilo que lhes é oferecido, o amor próprio reina acima do contentamento, entretenimento e serviço aos outros.
Em conclusão, a presença destas duas personagens na peça dá ao leitor, especialmente ao público feminino, uma janela, ou uma visão diferente, para o mundo. Neste case, patrocina as mulheres que se encontram nestas situações, uma nova esperança de vida e dá-lhes a coragem para enfrentarem os problemas e se erguerem para defender aquilo que acreditam, apesar de tudo que lhes pode custar.